Intenso e reflexivo, ’13 Reasons Why’ expõe feridas com atuações impecáveis

Intenso e reflexivo, ’13 Reasons Why’ expõe feridas com atuações impecáveis

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13 REASONS WHY

Quantas Hannah Baker você conhece? Calma, não responda ainda. A Netflix lançou no último dia 31 de março a tão polêmica e discutida “13 Reasons Why”. A série se baseia no suicídio da jovem Hannah Baker, de 17 anos, que através de fitas K7, narra detalhadamente os 13 motivos e pessoas que a levaram a cometer o ato. Com cenas fortíssimas e atuações dignas de aplausos intensos, como as sequências filmadas, a produção não foi aclamada pelo público à toa.

Contando o dia a dia do imaginário colégio Liberty, numa cidade da Califórnia, a série é baseada num livro de mesmo nome, porém com algumas nuances que o tira da prateleira “Para adolescente” e o joga na “Todos”. Indo direto nas questões que abordam o bullying e como o machismo, preconceito e boatos podem arruinar a vida das pessoas, o tema central acaba sendo uma consequência de atos.

Hannah Baker vivida por Katherine Langford

A australiana Katherine Langford dá vida a Hannah Baker com muita segurança e de uma forma tão convincente, que leva o espectador a querer entrar na história e poder dar palavras de conforto. Seu parceiro de cena, Dylan Minnette, o Clay Jensen, é, talvez, o grande ator da série. Atuações angustiantes e que transmitem a polêmica.

Durante as filmagens, cães de terapia foram utilizados pelos produtores para que os atores tivessem um tratamento psicológico e aliviassem o peso do assunto. Mostra-se assim a intensidade com que o abordado mexeu com o elenco. Segundo a imprensa americana, Katherine teve diversas crises de choro no período.

Antes da sua morte, Hannah então decide narrar em 13 fitas K7 as razões pelas quais a levou a cometer o suicídio após profunda depressão. Em cada uma delas, uma pessoa responsável. E assim, um enorme ciclo de desespero e medo toma conta de todos. Clay, tímido e apaixonado pela jovem, se vê transtornado por não saber como está nas antigas mídias de música já que amava Baker.

Dylan Minnette é Clay Jensen, apaixonado por Hannah, mas que omite seus sentimentos

Os cortes, feitos através de lembranças misturadas à vida real dos envolvidos, torna o enredo ainda mais perturbador e tem fotografias muito boas. Como as externas, diversas delas feitas de ângulos de primeira pessoa, levando a quem assiste para dentro plano visual dos acontecimentos.

E é através dessa intensidade e de ações que todos nós temos no cotidiano, mas tratamos como inofensivas, que “13 Reasons Why” cospe na cara dos que assistem o quão duro podemos ser sem perceber. E pior: o quanto as pessoas machucadas se calam diante da dor, aumentando seu sofrimento.

Conhecemos várias Hannah Baker anônimas. Somos muitas Hannah Baker querendo gritar, mas sem voz. Conhecemos vários Justin Foley, Bryce Walker, Alex Standall, Jessica Davis e cia, os antagonistas da trama. Somos muitos deles quando agimos iguais.

A série levou a um aumento de quase 100% no número de ligações para linhas diretas de suicídio no Brasil. Muitos se viram representados. Outros torceram o nariz com medo. Alguns repensaram atitudes.

Talvez “13 Reasons Why” não seja a melhor série da Netflix, mas com certeza é a mais intensa e necessária. Assista. Mas reflita: Quantas Hannah Baker você conhece?

SERVIÇO

Quem deseja procurar ajuda sobre o tema pode solicitar atendimento pelo telefone 141 (24 horas), pessoalmente (nos 72 postos de atendimento) ou pelo site www.cvv.org.br via chat, VoIP (Skype) e e-mail.

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